domingo, 1 de junho de 2008

“Uai! Uai! Uai! Uai! Queijo de QUAI!”


O meu primeiro desafio ao chegar em Minas foi me acostumar com o sotaque. Os “s” muito bem pronunciados e as acentuações fonéticas, às vezes, comprometiam a compreensão de algumas palavras. Além do “UAI”, “sôh!” e “trem baum!”, logo que cheguei, conheci o tal do FRAGA! Estava Eu à mesa, com Cabeção e Leitoso, que Eu acabara de conhecer. Era um tal de Fraga pra lá, Fraga pra cá, “porque Fraga num sei quê”, “fez isso Fraga”, “é culpa dele Fraga”. “Coitado de Fraga. Esse, tá fudido”, pensei. Com a intenção de sair em defesa do companheiro, quem nem conhecia, mas também pra não fazer nenhum comentário idiota, perguntei logo quem era a tal figura. Foi aí que os meninos me explicaram que Fraga, na verdade, é uma gíria mineira que equivale ao nosso “Tá ligado?!”.

Agora, imagine você dizendo: “Cara, a noite ontem foi do caralho, visse?”, “Meti muuuito, tá ligado?”. Realize um mineiro dizendo isso: “Cara, o show foi baum demais”, “Meti muito, fraga? Ôôô trem baum, sôh!”. Vaitimbora. Como diria um bom pernambucano: Eu quero lá saber de outro macho na minha cama, rapá!

Segundo desafio: saber se Eu estava “podendo”. Eu, nordestina, com minha sandália de couro e meu básico “oxente!”, fui me meter numa boate de uma capital do sudeste. Claro que a boate de BH não se compara as de Recife. Fiquei impressionada com o cubículo. Enfim, o importante eram as pessoas. Peguei a bebida “qualquer coisa ICE” e fui dá uma de mulherzinha junto com os meus três amigos secões. (Amigos? Com é que uma mulé vai com três amigos pra uma boate?) Era meu fim! Bem acompanhada daquele jeito, ia pegar ninguém. LLLóóógico!!!

Numa cidade em que o povo não sabe o que é donzelo, balaca, nem tabaca, (TÔ passsaaaada!), é difícil desenvolver uma conversa. Mas nada que um bom dicionário de pernambuquês não resolva. Ah e por falar nisso, a língua nunca foi problema para o minerin. O velho ditado que o mineiro come queto...hum!!! É a maior fraaaaude!

“NÚ!” (traduzindo: “nú” é uma expressão mineira que descreve a mesma sensação que você tem ao ver um véio pelanquento pelado. Ela passou por um processo parecido do “Oxente” que veio da expressão “Ó gente!”. Com o costume, o “oxente” assumiu outras derivações como o “oxen”, “oxe” e “ox”. De acordo com uma fonte oficiosa, o “Oxente” seria o resultado da não compreensão dos soldados brasileiros, que foram para a primeira GM, da expressão “Oh, shit!”. Voltando ao “nú”, o que soube é que ele deriva da palavra “Nusguete” e depois se resumiu em “Nusga” até chegar em “nú”. Enfim, vocabulários a parte...) Pense num mói de gente bunita. Viiiiiiixxxe!!! As nega são gostosa pácaralhooooooo! Tem loira, morena, rabuda, peituda... Só tem “ÃO”: bundão, pernão, coxão, peitão, cabelão...Se o produto não for gato por lebre, tudo indica que as partes mais cavernosas completam a rima. Pois é, Minas é famosa por ser um lugar que concentra a maior quantidade de gente bonita por metro quadrado. Isso Eu já sabia, mas era preciso passar pelo controle de qualidade.

Para minha surpresa, o tal do minerin na era nada quetin. Pra onde Eu olhava, era só flash! Claro que tinha um ou outro bôco-môco (traduzindo: um minino jegue, cafuçú), mas, a maioria, aff Maria!!! Foi aí também que percebi que mané existe em todo lugar do país. Quando entrei no bate-estaca, já conformada com o baixo movimento da night, por causa das minhas másculas companhias, foi que comecei a ouvir as coisas originais de sempre: “E aê, linda!”, “Oi, tchudo bom!”, “Princesa”. (PRINCESA?!!! PUTA que PARIU!) Bem, mas não tinha tempo pra pensar nisso. Eu tinha que ver meu medidor de fexação e... Minino!!! Como sempre... AR-RRRAAAA-SEI!!! Quando olhei prum lado...“flash!”. Olhei pro outro...só glamour!! “Porra, tô bein pá caraaaaí, aê!”. Longe de qualquer intenção libidinosa e pecadora, (sou uma pessoa pura e imaculada) preferia me divertir com os meninos e só tirar onda deles. Óbvio! Homem sempre gosta de contar vantagem e, no final, é um Zeeeero-a-zeeeero do caraí.

Porém, entretanto, contudo, todavia...quando Eu menos esperava, numa fração de segundos, quando viro o rosto...NÚ! Dou de cara com 1,90m de galego. Aí Eu estilei. Quase peço arrêgo. Tinha que ser logo uma galegão. Mermo assim, como uma boa menina, fiquei só sacando: “Já sei como é. Vai ficar nesse couro de pica a noite toda. No final, quando ele tiver bêbado, fedorento e vier falar comigo, Eu dou um fora”. (Só que você esqueceu um detalhe importante, amooorrr: você não estava em Recife. Você estava em um quase seriado americano, à lá “One Tree Hill – Lances da Vida”. Aquele é que é um mundo abençoado. Uiuiui!) E não demorou muito pra constatar isso. Não deu 5 min, quando olhei de volta...o pexte já tava do meu lado perguntando meu nome. (Rapá, gostei desse povo de BH. É uma providêêência). E ai? O que faço agora? Putz! Era só pra ficar no zero-a-zero! (Que nada mirmã. Deixa de quejo e agarra o bofe. Qualquer coisa, inventa uma dor de barriga e lavra!). Pois é, até tentei conversar, quando vi...tava sendo engolida pelo mostro loiro. O 1,90 de galego parecia que tinha uma boca maior que minha cabeça. NÓ! Fiquei com medo. (HUM!!! Ai que mêda). Cada vez que ele abria a boca, juro, era uma Ave Maria que Eu rezava.

Sabe quando você tá aprendendo a beijar e todo mundo diz pra você pôr uma pedra de gelo dentro de uma xícara com água e tentar pegar o gelo com a língua? Pronto! A diferença é que não era gelado. Na verdade, quando não se conhece a figura, é muito complicado se sentir tão à vontade. Geralmente, depois do primeiro beijo, acaba o encanto. A não ser que ele seja muuuito bem humorado, inteligente, gentil, gostoso, bonito, cheiroso e sensual pra render a noite toda. (Sendo assim, ele era gay). Só não rezei o rosário todo porque os meninos me ajudaram a fugir. E aí foi que começou a putaria. (Aviso: alta periculosidade).

A merda era que a boate era um ovo e, aí, ele sempre me achava. Eu juro, pessoas, que Eu queria ser honesta, mas...Eu era um homem vestido de mulher, afinal. Logo eu sou tinha duas saídas: fugir, ou dizer coisas do tipo “Acho melhor a gente não ficar mais porque sou um cara problemático”, “O problema não é você, sou Eu!”. Se Eu assumisse a minha personalidade papolesca, seria o fim: “Bora boy, pega o beco que Eu não quero dá pá tu não. Booooora, mô véi! ARRUDÊA!”. Então, qual a melhor solução? Fugir!!!

O mais engraçado é que eu achei uma figurinha de BH que Eu tinha amizade havia alguns meses. Não é que achei a tal figura na tal boate em uma de nossas tais fugidas? Nossssssaaaaaaaaa!!! Ainda bem que voltei a me fantasiar de mulé. O bofe tinha 1,80 de altura e duas coisas fundamentais, além da inteligência: costas largas e pernas grossas. Uhuuuuuuuu!!! Eita macho gostoso do CA-RA-ÍÍÍ! Nessas horas é que Eu adoro o destino, Deus, casualidades, sei lá.
Sabe que certas coisas na vida que não dá pra explicar? Foi o beijo da figura. (Roupa confortável: R$ 80; sandálias pernambucanas de couro legítimo: R$ 40; Pisa no cabelo: R$ 100; Perfume pega otário: não sei que foi presente; beijar um macho gostoso e se sentir nas nuvens: aaahhh isso, definitivamente, não tem preço). Ele tinha um humor à lá seu Lunga, mas era divertido. A química foi instantânea. Nossos lábios se encontraram num desesperado e doce beijo com gosto de vodka. E numa paixão avassaladora (PÓ PÁRA! Pra mim, Eu tô num romance de Julia e Bianca) Destruidora de sonhos! Enfim, a química rolou de tal forma que a ação foi conjunta. Foi a primeira vez que não quis que Papola fosse realmente embora. Como a historinha da Cinderela, a minha também acabou com o fim da noite. A diferença é que a gata borralheira termina com o príncipe. No meu caso, príncipe não existe e o sapatinho, que era para ser de cristal, era de couro. Então...cabou-se quera doce. (A vida é feito rapadura, minha filha: é doce, mas é dura).

Infelizmente, diferente de muitas historinhas de conto de fadas, não acabamos juntos, por uma opção de ambos. Por medo? Não sei e nem quero pensar nisso. Somos bons amigos. Mas, confesso que nunca esquecerei o beijo mágico com gosto de vodka. Talvez, ter vivido essa sensação, tenha sido mais prazerosa que tê-lo comigo a viagem toda. Nem outro beijo nosso teve o mesmo sabor. Então, quem me garante que seria tão bom quanto aquele beijo foi. Para mim, foi quase que sentir a alma sair pelo corpo numa sinergia singular. Agora, “Voltei Recife” e nada melhor que “Vivi la vida loca” acompanhada de BB King e de Maria da Cruz!

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Agora é a vez de Homero!


O bom de passar uma festa tradicional em outra cidade é que sempre há rituais e costumes novos para se conhecer. Em Outro Preto, na época da Semana Santa, a prefeitura interdita algumas ruas e distribui pó de serra colorida nas casas para que a população monte uns tapetes ao longo do percurso que a procissão passará na manhã seguinte. Ou seja, o que levou horas para ser construído, leva segundos para ser arrasado pela batina. O lance é tão sério que há famílias que passam horas, até o amanhecer, montando os tapetes. Alguns são verdadeiras obras de arte.
Como uma boa turista, ajudei a família de Cabeção, que é de Outro Preto, a montar o tapete e depois fui perambular pelas ladeiras da cidade para tirar fotos do povo montando o negócio. Logo no começo da descida, avisto uma mulher segurando uma sombrinha e vestida a là século 18. Então, vou Eu, toda animada, dá a pinta de turista.
- Moça, será que senhora poderia tira uma foto comigo? – minha falsa meiga voz, desta vez, não convenceu. Em fração de segundos, a tal mulher virou e, com gostchú, disse:
- Você só quer a foto? Não quer saber porque estou vestida assim? Por acaso, você é mais uma brasileira desaculturada?
NÚ! (vestido, semi-pelado....) PÔTA QUE LOS PARIÓ! Nem Balsec, um delicado amigo de Cabeça, que é a cara do Wagner Moura, consegue ser tão delicado como ela. Depois de um fora HOMÉRICO desses, Eu deveria dá o lavra. Como vocês sabem...tabacuda, que só Eu, comecei a rir e perguntei:
- Comé, minina?! (Ah, não bastava levar o fora na frente de todo mundo. Ela tinha que repetir que é pra marcar mermo!). Resolvi atender à tão gentil senhora e perguntei porque ela tava vestida daquele jeito.
O melhor foi olhar para Beba-Leite e vê-lo com a maior cara “Amiga, tem jeito naum. Todo mundo viu o mega fora que você levou. Vamo nessa, por favor!” Isso é que é amigo. Está sempre por perto nos piores momentos para dar um apoio moral. O bichinho ainda fez o esforço de ir até mim e colocou a mão no meu ombro. O quase biquinho de “Pelamordedeus, vamo embora!”, não conseguiu me convencer. (Eh! Definitivamente, ela tem fetiche por foras).
Como boa jornalista, comecei a entrevistar a moça. Ela é bailarina e, nas horas vagas, se veste assim e passeia por Outro Preto e Rio de Janeiro. Sua preocupação, segundo ela, é a preservação da história do país (e quase jurou de pés juntos pela mãe, que era só por isso. AAAAaaah, então, como uma brasileira, consciente e ACULTURADA, vou colocar meus peitinhos pra fora e usar uma tanguinha para preservar a cultura indígena tão importante e esquecida da nossa história, não é amoooorrr!!!).
A intenção dela é tão pura que nunca buscou apoio junto às prefeituras, nem nunca se preocupou em elaborar ou sugerir um projeto de revitalização ou preservação cultural mineira. Ela, simplesmente, disse que nunca procurou porque, há anos, ela sai (feito uma doida) pela cidade e ninguém nunca a procurou (só pra tirar fotos - hehehe).
- Você precisa conhecer minha casa. Tudo é do século 18. Os móveis, até a capela que tenho em casa. Essas roupas...tenho uma costureira que faz. Eu desenho os modelos (que, sinceramente, tá mais pra baiana de desfile de escola de samba que pra sinhá). A rede globo acabou de gravar uma minissérie comigo. Já dei entrevista para jornais e participei de novelas. (Sorte da mãe dela, por ela não ter jurado)
Depois que saciei a minha curiosidade e de ter que olhar, pela segunda vez, a cara deprimida de Leitoso, resolvi terminar o assunto:
– E aí, posso tirar uma foto, agora? (sua rapariga de cego, fêla da puta &%$#@*)
- Claro, bein! – (Bein é o meu @#$ na tua %&*, miserávi). Mas não poderia sair com aquele fora entalado. Depois da foto, senti, dentro do meu Eu, surgir um fogo (Ôpa! Vai me dizer que tu cumeu a baranga?) e... - Me diz aí, porque você me tratou com tanta ignorância? Não precisava daquela agressividade toda. Você aculturada assim, deve saber que geralmente são turistas que te abordam. Você poderia discutir a história, já que esse é seu objetivo, de uma maneira mais delicada e doce (Feito RAPADURA, só se for).
Ela me pediu desculpa com um sorriso amarelo e Eu fui mimbora curtir o resto da night, que ainda reservava surpresas.
“Melhor uma foto na mão que um fora entalado”

domingo, 13 de abril de 2008

“Se não tem mar, vamo prum bar!”




“Ó Minas Gerais! Ó Minas Gerais! Quem te conhece prefere o nordeste. Ó Minas Gerais!” – a primeira vez que Eu ouvi este refrão foi no 49º Congresso da Une, que aconteceu em Goiânia, em 2005. Nunca entendi o porquê da paródia, já que a impressão que Eu tinha de Minas era a melhor possível. Principalmente, pelos lindos estudantes que via circulando pelos alojamentos, no compus da Universidade Católica de Goiás. Ê trem baum, sôh!
No último dia 18 de março, comecei a desvendar o mistério e cometi mais uma das loucuras papolesca da minha vida: arrumei as malas e fui para Belo Horizonte. Depois que desci no aeroporto de Confins, tive a certeza que a lombra seria das boas, uai! Após 4 horas de viagem, graças a infeliz conexão no Galeão (RJ), apreciar as lindas paisagens montanhosas, curvilíneas e falantes compensa (e muuuito) a espera.
Antes que vocês pensem que sou uma psicopata sexual, deixa explicar qual a finalidade da viagem. O ano passado, como muitos sabem, a loucura papolesca da vez foi a viagem a Petrolina. O objetivo era fazer uma reportagem sobre o desperdício de água na agricultura irrigada e a falta para abastecimento humano, o que deu muito pano para falar sobre o Rio São Francisco. Aaaahhh, para os desinformados, a reportagem ganhou o primeiro lugar no concurso Desafio das Águas, promovido pela Secretaria de Recursos Hídricos, Compesa e Sindicato dos Jornalistas. Tinha que fazer a propaganda, né! Claaarooo! Pra vê se compensa o meu investimento e o de Marcio, parceiro de reportagem, já que a faculdade não investiu nada. Então, como o Rio das Velhas, localizado em Minas Gerais, é o principal afluente do Rio São Francisco e a minha intenção é dar prosseguimento a edição especial Águas do São Francisco do Jornal Laboratório CONECTADO, a viagem foi inevitável. Porém, companheiros, Eu estava trabalhando, não morto, né verdade? Voltando...
Belo Horizonte é como uma Recife do sudeste, só que sem tantos rios cortando a cidade e sem as praias. Além de que, surpreendentemente, nós temos um ritmo bem mais acelerado, a cidade é plana e não chove granizo aos 26 graus de temperatura. Ah, BH consegue ter um sistema de transporte, por incrível que pareça, pior que o de Recife. PASMEM! Outra curiosidade, as chuvas lá são anunciadas pelos trovões e relâmpagos. Pense que fiquei com o butico na mão. Eu me senti com 10 anos de idade. O que me espantou não foi o toró, só a zoada da chuva, que mais parecia um prédio desabando por causa dos granizos. Me senti naquele filme Jumanji, mas sem os elefantes e os dados.
Embora o custo de vida em BH seja muito parecido com o de Recife, só na Veneza Brasileira liso se dá bem. Com 5 ou 10 conto, você toma uma com os amigos, curte uma boa música na rua da moeda e ainda aprecia a beleza histórica do Recife Antigo. Em BH, você paga um pouco mais caro, em compensaçããão... amigooo... as cachaças são das melhores do país, em toda esquina tem um bar (que não é uma espelunca a lá Garagem) e você ainda desfruta de interessantes companhias. Nóssa senhora, baum demais!

Ah, aconselho a quem tem problema de escoliose, a nunca viajar pra Belo Horizonte. A cidade é toda construída em subidas e descidas, feito o sítio histórico de Olinda, com a diferença que as ruas são mais largas e asfaltadas. Se a lenda de “subir e descer ladeira engrossa as pernas” fosse verdade...huuummm!!! Eu tava com cada lapa de perna, “bein!”. Ia fechar o trânsito! E seguindo esse raciocínio, é melhor andar em BH plantando bananeira que pagar um implante de silicone nas mamas. Eita que Eu vou logo me preparar.

O que me deixou passsaaada no sistema de transporte é que o metrô não leva a lugar algum e os ônibus demoram um século pra passar. Alguns nem circulam dia de domingo. Mesmo assim, Eu tinha prazzzeeerrr em andar de busú. Definitivamente, se Eu morasse em BH, só andaria de ônibus. Além de não ser ensebado (como por exemplo, o nosso “querido” PE-15/Afogados), você já começa o dia com uma enxurrada de colírios para os olhos. Aff! Eita, povo bunito da pexte, rapai! Aaah, não é! Eu, fechante toda, tinha que deixar minha marca registrada na cidade e, então, pagar um mico bááásico, se não, Eu não teria passado por Belo Horizonte.
No meu último dia em BH, depois da sétima cachaçada e bolinhos de bacalhau, “PÔTA KIU PARIU!”, Eu tinha que acordar de ressaca. Enfim, quando tava indo para a Copasa (a Compesa de lá), não pude conter mais o balanço do ônibus e...e...e... RAÚÚÚL!!! Vomitei o “caldo verde” que tinha tomado no dia anterior. De fato existe um caldo verde que é um tipo de sopa de legumes com lingüiça, típico de Minas. Ainda bem que os óculos escuros de hoje em dia são maiores que a cara dagente e esse efeito “besouro” foi minha salvação porque deu pra me esconder. Minino, parecia que ninguém tava me vendo. Até nisso, a gente tem que manter a chiqueza e a classe, racha!!! Perder a pose “jamais” (jamé!). Aaahhh!!! E claro que Eu desci do busú com a cara mais LLL (limpa, linda e loira) que Deus me deu. Meu consolo: se já fiz isso em Recife, porque não ia fazer em Belo Horizonte? Mar minino! Isso só mostra que BH está dentro do meu Eu. Assim como o mito de que quem se banha nas águas do São Francisco um dia retorna a ela, Eu formulei o mito de que quem vomita em Belo Horizonte um dia voltará a vomitar. (Bom, se vai ser em BH, Eu não sei, mas que vai vomitar...Ah vai!) Mas sabem que é o culpado disso? Isqueiro e Ivanoe! Seus filhos da puta! Foram logo me apresentar a Maria da Cruz! Mas, se um dia você for pra Minas e não tomar uma lapadinha (pra não dizer porrada) de Maria da Cruz...você não foi pra Minas! Calma. Maria da Cruz é uma cachaça de barril de carvalho, animal. Já tava pensando coisas produtivas, né? Hurum!!! Dhilícia!
Bem, na semana santa, fui liiinda e escovada pra Ouro Preto. Ô cidade gostosa. Clima mais frio que BH. Com suas ladeiras e ladrilhos, lembra muito Olinda. A cidade de Mariana, vizinha a Ouro Preto, também. O curioso são as repúblicas. Coisa de novela da Globo mesmo. Enquanto nós temos as casas de estudantes, eles têm as repúblicas, que são tradicionais e com regras próprias de admissão e administradas pelos veteranos. Mas, as peripécias de Ouro Preto é pauta pra outra conversa...FUI!!!

PS: Quero agradecer a Talles e família que me receberam no meu primeiro dia em Petrolina para fazer a reportagem e nos acompanharam em algumas visitas às comunidades. Ah, também quero deixar registrado aqui o agradecimento a Tássio e ao Budista, vulgo Rafael Barreira, que me acompanhou a uma das mais importantes visitas da viagem a Petrolina: as vitivinículas. Bate! Bundinhaaaa!!!!

segunda-feira, 17 de março de 2008

Sou Mais Você!


Pois é, camaradas, semana passada falei um pouco dos inúmeros estresses que vivemos por causa da nossa acomodada vida cibernética. Mas, pensando direitinho, seria muita injustiça não falar também dos benefícios que a vida digital nos proporciona.
O homem é, de fato, um ser impressionante. No mundo capitalista, como é sabido, todo mundo explora todo mundo até a última gota se o Mané permitir. Seguindo este raciocínio, além das funções de edição de texto e de navegação na internet, o computador e seus super hiper desenvolvidos softwares, que a cada semana surge o de última geração do de última geração da semana passada, acaba assumindo “n” funções. Pois bem, além de editar textos e navegar na net, o computador acaba sendo, por alguns minutos (que com o tempo se transformarão em horas), uma poderosa babá, por exemplo. (É de fato impressionante. O pai, filho da puta, para não reclamar com o filho, dá um brinquedinho eletrônico prele se distrair.) Pois é, um filho da puta, mas impressionante. Voltemos...
As cores do papel de parede da área de trabalho e os coloridos das páginas da internet conseguem por uma mágica (BUM!) calar a boca do guri chorão que queria tirar daquela receita maravilhosa de frango ao molho de maracujá com limão e leite de soja que Ana Maria Braga estava prestes a começar. (Porra Mais Você?! Estilei! Na moral, tinha que ser um programa da Globo, caraí?!) É a GLOBALIZAÇÃO!
Vamos então, ao texto do dia. (Pronto, foi só dá a idéia!) Para você, dona de casa, que acordou angustiada e começou o dia pensando: “Meu Deus porque meu marido não tem um pinto grande e gostoso? Por que eu tenho celulites na bunda e os peitos flácidos?”. Tem um ditado chinês que diz assim: ou você afunda com a crise ou cresce com ela. Muitas vezes, procuramos respostas para as nossas perguntas e, na aflição, esquecemos de dizer às pessoas o quanto as amamos. Levar uma gaia é só uma forma de pensar negativo sobre a vida. É pensando positivo que conseguimos evoluir o espírito. Então, ao acordar, não reclame porque está frio e chovendo. Contemple a natureza e as coisas boas que Deus nos dá! Olhe pro seu barrigudo e fedorento marido que roncou a noite inteira e não te deixou dormir. Olhe–o, com o coração. Admire os peitinhos de gordura. E, quando ele acordar, diga, olhando nos olhos, o quanto você o ama. Esqueça todas as cachaças que ele tomou, as incontáveis vezes que ele brochou, as raparigas que ele come pelo caminho de volta do trabalho para casa. O importante é que a humanidade ame. Só com amor podemos mudar o mundo. Pense nisso. Reflita! Encha seu dia de amor. Pode fazer a diferença. Bom dia! Acorda minina!!!
(Ah é? Então vamos a minha versão - Vamos então ao texto do dia. Para você que, não estudou e resolveu ser uma dona de casa sustentada pelo marido, acordou angustiada porque não faz nada da vida e começou o dia pensando: “Meu Deus porque meu marido não tem um pinto grande e gostoso? Por que eu tenho celulites na bunda e peitos flácidos?”. Tem um ditado de um grande filósofo brasileiro que diz assim: “Me perdoem as feias, mas beleza é fundamental”. Muitas vezes, procuramos respostas para as nossas perguntas e, na aflição, esquecemos de nos olhar no espelho e ver o quanto somos mocréias. Então, deixa de ser otária e pega o dinheiro do teu marido turbina os peitos e espicha os tuins. Aprende uma coisa: gaia, minha filha, só é bom pra quem bota. É pensando que ele é um filho da puta gordo e fedorento que conseguimos malhar, evoluir e agarrar um macho lindo e gostoso. Então, ao acordar, não reclame porque está chovendo e frio. Simplesmente, vá fazer um Cooper. Coloque aquela calça colada eu-tenho-bunda e uma camisa branca de eu-tenho-peito. Se tiver o alvo, melhor ainda. Aproveite que você tá véa, mas num tá morta, e vá simbora gozar muuuito. Contemple os prazeres musculosos da vida. Caso você volte pra casa com um peso na consciência, é só dá uma passadinha no quarto e lembrar que não conseguiu dormir porque o ser asqueroso, que ainda insiste de chamar de marido, chegou da raparigagem e roncou a noite toda. Mas, lembre-se, é preciso armar as pessoas. Então, quando ele acordar, olhe para a caixinha de jóias em cima do penteador e diga, olhando pro colar de pérolas atrás dele, o quanto você ama. Assim você esquece todas as cachaças que ele tomou, as incontáveis vezes que ele brochou, as raparigas que ele comeu pelo caminho de volta do trabalho para casa. Não esqueça de agradecer, e aí de coração, pelo corpo sarado que você tem, pela pele limpa e brilhante e pelo prazer na vida que o dinheiro dele te proporciona. Pois quem mais te deu tanto “amor” para você mudar radicalmente a sua vida? O importante é que a humanidade ame. Só com amor podemos fazer filhos e exigir pensões. Pense nisso. Reflita! Antes um pássaro na mão que dois voando. Então apague o nome dos bofes do seu celular. Encha seu dia de amor. Pode fazer a diferença. E com certeza faz. Pra você! O resto... que se lasque! Bom dia! Acorda minina!!!!
Eh, pra quem ia falar de computadores...terminar em Ana Maria Braga...é a decadência dos intelectuais! (Ou ascensão, tudo depende da ótica!)

PS: Galera, já to em Minas, em breve, aguarde as Pérolas. Se deus quiser. Ô Glória!!!

Computadores, quem precisa deles?!?!


Há anos atrás (que não são tantos assim), quem sabia datilografar era “o cara” de qualquer empresa ou repartição. Numa época em que datilografar é digitar, você é vc, telefone é a mais nova geringonça do brechó e quem não sabe editar em Word é analfabeto, saber navegar na internet é quase um meio de sobrevivência.
Catapora, sarampo, caxumba, caganera, asma e gripe já não são mais doenças de crianças. Assim como, boneca, carrinho e peão não estão na lista dos entretenimentos favoritos. Criança hoje sofre de depressão, ansiedade e de hiperatividade. As velhas brincadeiras de roda, que ainda fizeram parte do meu remoto passado (isso já não te pertence maaais!!!), foram substituídas pelas visitas ao psicólogo, pelos vídeo games, pen drives, MP3’s e, principalmente, pelo Orkut e MSN. O pirraia já nasce programado!
O bom da tecnologia é que com um clique do mouse podemos fazer a feira de casa e pagar as contas. A internet também é educadora. Claro! Num instante aprendemos a ser gente. Quer saber quando? Experimenta ir ao banco, em pleno dia 30, para pagar a conta que, habitualmente, é paga pela net. Você começa a ver como o povo é mal educado e como um simples “licença!” faz diferença. Isso porque: primeiro, que não há sinalização informando nada no banco; segundo, sempre tem um profissional incompetente livre e é, justamente, com ele que você tenta tirar as dúvidas; e, terceiro, você terá que enfrentar uma fila durante longos e intermináveis 15 minutos.
ÉÉÉhhh!!! Ficamos tão acostumados à agilidade da internet que não temos saco quando o site está “em construção”, nem quando ela está lenta. E quando a conexão é via linha telefônica? Internet discada não é internet e deveria ser proibida pelo Ministério da Saúde. Não é coincidência que nos últimos anos tenha aumentado o número de pessoas que sofrem com pressão alta e dores de cabeça. Quem é obrigado a trabalhar com esse tipo de internet deveria receber uma gratificação por insalubridade. Computador lento e burro, em pleno século 21? É inadmissível e deveria ser incinerado: é arquivo morto! A situação é tão séria que piramos quando o computador resolve pifar. E isso só acontece quando estamos concluindo uma monografia ou quando estamos para salvar um arquivo importantíssimo que precisamos para o dia seguinte. Por outro lado, as desculpas “meu computador pifou” e “mas eu mandei por e-mail, não chegou?”, também servem quando não cumprimos com os prazos.
Pois é, camaradas. O computador é uma droga das pesadas, é feito a paixão. Quando você está com ele, fica louco a fim de se livrar. Mas, quando está livre, começa a ter fortes crises de abstinência, é quando você retorna a vida cibernética. A população não é mais economicamente ativa. A vida não é mais sexualmente ativa. (“Se você tem problemas de ereção ou de ejaculação precoce, procure o Medical... – kkk! Essa veio sem querer) Agora somos ciberneticamente ativos. E haja punheta, hein!
Pior que ter que bater uma punheta é colar a revista. Ter vontade de dar um murro no monitor, de jogar a CPU no chão e até conversar, amigavelmente, com a máquina como se ela pudesse entender, é, absolutamente, normal. A baixaria e as crises nervosas, na frente da tela do computador, não são NUNCA sinônimos de estresse. Esta é mais uma oportunidade de extravasarmos o ódio mortal a um inimigo. Não é saudável retrair e guardar sentimentos. Deixemos de conversa e vamos a um dos acausos da minha vida ainda (ou quase) real.
Após o encerramento do ano de 2007, logo em janeiro, Papola começou a se sentir muuuito inquieta. Mas era uma inquietação filha da puta que me deixa pior que barata tonta. Ela surge das profundezas do meu eu muuuiiito interior e não se aqueta facilmente. Dialoguei diversas vezes para entender porque Papola tava tão impaciente e com as altas taxas de adrenalina. Foi quando Cabeção, um amigo minerin, em uma das várias conversas do MSN, me chamou para conhecer Minas Gerais. Foi quando me veio o estalo! mmmiiinnnaaasss... mmmiiinnnaaasss... mmmiiinnnaaasss... mmmiiinnnaaasss... MINAS!!! Era isso! Eu tava precisando produzir algo de fato importante para a humanidade e Minas Gerais seria o lugar ideal. Daria continuidade ao trabalho sobre meio ambiente que iniciei o ano passado sobre o Rio São Francisco, em Petrolina.
Foi aí que o mundo começou a conspirar. A GOL e a TAM fizeram uma promoção de passagens. Depois de uma expedição homérica e várias tentativas de reservar a porcaria da passagem, quando, enfim, consigo, na hora de pagar...a internet dá pau! PUTA QUE LOS PARIÓ! (Soy tchique bein! Ai ai ai ai ai! Arriba, muchacha!) Tava fácil demais. Não bastava ser de madrugada, não bastava a net não ser discada, não bastava eu ter conseguido fazer a reserva, a merda da internet tinha que dá problema. O inferno prosseguiu durante duas semanas consecutivas. A adrenalina era tanta que eu e Papola estávamos pior que Hillary Cliton e Barack Obama em época de prévias. Parecia que o coração ia sair pela boca. Até que eu consegui confirmar a compra.
Paralelamente a este estresse, o mundo continuava a me perturbar. Ao atravessar a rua, olho pros dois lados e, não sei porquê, ao invés de olhar para o horizonte, meus olhos vão diretinho para a placa “Belo Horizonte - MG” de um Fox preto que estava parado no sinal. Agora me responda: o que diabos um carro de MG vem fazer aqui em Recife? Na TV, é praxe. Sempre têm notícias sobre BH e até sobre Ribeirão das Neves saiu semana passada. Esta é a cidade que me inscrevi para a prova do INSS. O caso mais invocado foi numa cinco horas da manhã de um dia qualquer.
Estava, Eu, assistindo o telecurso 2000 (ooOOOhhhh!). A aula era de como preencher um cheque. De todos os blá-blá-blás, a única coisa que me chamou atenção foi o nome da cliente e a cidade que estavam escritos no cheque: Angélica Santiago e Barbacena. A ironia? O nome de Cabeção, meu amigo minerin, é Cabeça Santiago e a família dele é de...adivinha? Barbacena! Putz, depois dessa só pude concluir que está no meu destino esta viagem. Tenho uma missão muito importante a cumprir e comprimir. Vou salvar o mundo e entrar para calçada da fama. Ô Glória!